sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Petralhas



Tenho percorrido o mundo de bicicleta, fora do contexto turístico. Conhecendo povoados incrustados entre o Pacífico e as montanhas nevadas, com florestas cheias de urso no Canadá, ou vinícolas em vales férteis da África. Não importa onde. Mas sabem o que eles têm em comum, ao contrário do Brasil? 

Antes das pessoas, existe um país. E depois do país, existe um “cuidar do próximo”. Não é “respeitar a lei”, mas respeitar as pessoas como gostaria de ser respeitado. E assim se perpetua uma verdadeira corrente do bem. Então as coisas andam, existem projetos de futuro coletivo para o qual todos trabalham - independente dos problemas. Fatores de união social. Diferente da “Lei do Próprio Umbigo”, em vigor no Brasil.

Nós não temos um projeto de Nação. Não temos um objetivo coletivo, muito menos um plano de ação. Não temos sequer líderes capazes de nos unir em busca de um sonho de país. Não sabemos onde queremos chegar, tampouco como ir. "Nossos heróis morreram de overdose” faz sentido em si. 

Desconstruímos a verdade para idolatrar Lampião, D. Pedro, Princesa Isabel e, claro, Capitão Nascimento, entre tantos outros. Um dos únicos líderes que nos uniu e deu sentido ao Brasil, recentemente, foi JK, com o insano plano de industrialização do Brasil e construção de Brasília. Quebrou o País, mas isso ninguém fala. 

Já disseram que a democracia é o pior regime político do mundo, à exceção de todos os outros. Mas é o que temos para hoje. E nós, brasileiros, que sonhamos, que realizamos, que arregaçamos as mangas para cumprir a lei, pagar impostos absurdos, e criar nossos filhos, precisamos resgatar a essência da palavra democracia, e deixar claro que concedemos o poder para que seja exercido em prol da Nação, não do enriquecimento desse ou daquele espertinho.

Chega de tapar o sol com peneira. O jeitinho brasileiro mais uma vez foi usado como esperteza, para transformar o país em massa de manobra. Ninguém tem carta branca para pilhar. Independente desse ou daquele partido.

Se a palavra que vai nos unir enquanto Nação é impeachment ou “ladrão”, pouco importa. Mas depois do Mensalão, depois de Lava-Jato, vamos esperar o quê? Manipularem a história para ouvir novamente “Eu não sabia”? 

Você entregaria a chave do seu cofre a um ladrão, acreditando que ele não roubaria, novamente? Ora, faça-me o favor! Já estamos no fundo do poço. 

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